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Frenesi - Parte 2

Sentia a presença do meu senhor que já não fazia mais diferença pra mim naquela altura. Ele acompanhava o meu estado de insanidade por sangue pacientemente. Aos poucos ele foi se afastando novamente, e quanto mais sua presença se ocultava, mais eu me agitava. Estava enfurecida, queria sair daquele caixão, queria saciar minha sede. Mas tão logo meu senhor voltou, largou algo próximo de meu caixão que fez barulho ao impactar-se com o chão. Por um momento aquietei-me, ouvi o som de uma leve respiração, logo, ouvi batimentos cardíacos e por fim, senti aquele cheiro, cheiro doce do sangue que desvairava todos os meus sentidos. Ouvia-se meus gemidos pela sede, meu corpo contorcia-se agonizado, minhas mãos em punhos se fecharam, me debati estourando o caixão com facilidade como se este fosse papelão sendo rasgado em pedaços. A ânsia de saciar-me com aquele sangue acarretou em meu corpo uma força que até então era desconhecida por mim. Posicionei-me com as mãos e os pés no chão similar à um animal irracional, selvagem e faminto rangendo os dentes, o sangue escorria de meus lábios mutilados gotejando no chão. Eu estava irreconhecível. Meu senhor estava parado em pé logo à minha frente, ergui minha cabeça para observa-lo e seu semblante era de pesar. "Cadê? Onde está aquela garota de olhar profundo e reluzente, de sorriso largo e um doce semblante, aquela voz suave e agitada ao mesmo tempo, com passos leves flutuantes e outrora saltitantes. Cadê?" Seu olhar procurava pela sua amada do jeito que era quando a conheceu. Mas esta, não mais existia. Tão rapidamente desviei o meu olhar para o meu lado direito, estirado ao chão, estava lá o que saciaria minha fome: um mortal, um humano inconsciente, mas ainda vivo. Ele sangrava do lado da barriga, era um ferimento com faca, provavelmente havia se envolvido em alguma briga e meu senhor o encontrou aos arredores da cidade, ele estava quase morrendo e seria eu quem daria o fim ao sofrimento dele, e, principalmente, o fim da minha fome, mas nesse estágio do frenesi, o sofrimento daquele ser tão pouco me importava. Como um animal, pulei em cima de seu corpo esvaecido, pude ouvir seu coração e o sangue circulando em suas veias, sem recuar avancei em direção a sua jugular perfurando sua carne com minhas presas, e aquele líquido rubro e viscoso invadiu minha boca adentrando pela minha garganta. Ah! Aquele sangue era como fogo que incendiava o meu corpo todo, delirava de prazer. Nunca existiu algo do qual despertasse em meu corpo esse imenso prazer como o sangue desperta ao ingeri-lo. Bebi até a ultima gota daquele ser, bebi de sua vida, ouvi seu ultimo suspiro.


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